A Bolívia consolida-se como destino emergente para estudantes internacionais no ensino superior

Por Leny Chuquimia

O país começa a se destacar de forma consistente no mapa regional do ensino superior, atraindo jovens de diferentes países que buscam formação acadêmica de qualidade, experiências práticas precoces e um ambiente cultural diverso. Desde cursos na área da saúde até disciplinas criativas e tecnológicas, a Bolívia oferece hoje um cenário que combina custos acessíveis, reconhecimento acadêmico e um modelo educativo cada vez mais orientado à internacionalização.

“Aqui senti que não vinha apenas para estudar, mas para realizar um sonho e crescer como pessoa e como profissional em um ambiente que me abriu as portas desde o primeiro dia”, relata Janaisa D. Barbosa, estudante brasileira de Medicina na Universidade Franz Tamayo (Unifranz), ao recordar sua chegada à Bolívia e o acompanhamento que recebeu ao longo de toda a sua formação acadêmica.

A Universidade Franz Tamayo tornou-se um dos principais motores dessa abertura ao mundo. Com presença em La Paz, Santa Cruz, Cochabamba e El Alto, a instituição desenvolveu uma política consistente de internacionalização que facilita a chegada de estudantes estrangeiros, tanto na modalidade de curso completo quanto por meio de programas de intercâmbio acadêmico. Seus convênios, processos de admissão acessíveis e o apoio nos trâmites migratórios permitiram que jovens do Peru, Brasil, Colômbia, Chile e de outros países encontrem na Bolívia um destino viável e atrativo para sua formação profissional.

A experiência dos estudantes internacionais vai além da sala de aula. Histórias como a de Víctor Aguirre, jovem peruano, estudante do curso de Enfermagem na Unifranz, refletem como o intercâmbio acadêmico se transforma em uma vivência significativa.

“Cada dia me apaixono mais pela minha carreira, porque posso ajudar as pessoas que mais precisam e conhecer um sistema de saúde diferente do meu país”, conta, destacando as práticas realizadas em centros médicos reais e o contato precoce com pacientes.

Do ponto de vista institucional, essa aposta responde a uma estratégia clara. Luz Maribel Plaza Aranda, coordenadora de Admissões Internacionais, afirma que o atrativo para os estudantes estrangeiros está na combinação de qualidade acadêmica, inovação e reconhecimento regional. A recente reacreditação Mercosul dos cursos de Ciências da Saúde, explica, permite que os diplomas tenham validade em vários países, gerando confiança nos estudantes e em suas famílias, que veem na Bolívia uma plataforma para projeção profissional na região.

As salas de aula refletem essa diversidade. Nos corredores, misturam-se sotaques e culturas, como o português de Thiago Holanda Silva, jovem brasileiro que chegou a Santa Cruz para estudar Medicina.

“Escolhemos esta universidade por sua tecnologia, inovação e pela forma como recebem os estudantes estrangeiros. Fiz minha inscrição desde o Brasil e hoje estou aqui, estudando e aprendendo fazendo”, afirma. Para ele, o contato precoce com a prática e o trabalho comunitário foi decisivo para confirmar que tomou a decisão correta.

Também os estudantes de intercâmbio destacam o impacto pessoal dessa experiência. Da Colômbia, jovens dos cursos de Bioquímica, Farmácia, Design Gráfico e Psicologia encontraram na Bolívia um espaço para complementar sua formação.

“Queria sair do meu país e conhecer outras perspectivas. Aqui não apenas aprendo sobre minha carreira, mas também aprendo a ser mais independente”, comenta Leidy Hernández, que realiza seu internato rotatório e ressalta a qualidade humana e o acompanhamento acadêmico recebidos.

As autoridades acadêmicas concordam que a internacionalização não beneficia apenas quem chega do exterior, mas também fortalece o ecossistema educativo local. Patricia Avilés, diretora do curso de Enfermagem em Santa Cruz, destaca que essas experiências formam profissionais de nível internacional, com uma visão mais humana, adaptável e aberta aos desafios globais.

Na mesma linha, María Fernanda Ollé, coordenadora nacional de Mobilidade Estudantil, ressalta que os estudantes que participam de intercâmbios desenvolvem competências como liderança, abertura à mudança e pensamento crítico.

A ênfase no “aprender fazendo” aparece como um dos principais diferenciais valorizados pelos estudantes. Laboratórios equipados, centros de simulação e práticas constantes permitem que a teoria se articule com experiências reais desde os primeiros anos de estudo. Para muitos jovens estrangeiros, isso representa uma vantagem em relação a sistemas educacionais mais tradicionais em seus países de origem.

A Bolívia, tradicionalmente reconhecida por sua riqueza cultural e natural, começa assim a se posicionar também como um polo acadêmico emergente.

As histórias de estudantes satisfeitos, que se sentem acolhidos e valorizados, entrelaçam-se com o discurso institucional que aposta em uma educação sem fronteiras. Nesse cruzamento entre experiências pessoais e visão estratégica, o país projeta uma imagem renovada: a de um destino onde estudar não é apenas possível, mas também uma experiência que transforma vidas e abre caminhos profissionais em toda a região.

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