O internato rotativo: o teste decisivo para médicos em formação

Janaisa D. Barbosa acreditava ser impossível que, um dia, estaria usando um estetoscópio em vez de um quadro de lousa. Nascida em Minas Gerais, Brasil, sua vida foi passada entre livros e salas de aula, ensinando outras pessoas a construir seu futuro, enquanto o seu próprio parecia cada vez mais distante. Seu maior sonho era estudar medicina, mas no Brasil, com dois filhos para cuidar e o alto custo do curso, essa meta parecia inatingível. No entanto, a vida lhe mostrou uma oportunidade em um lugar inesperado: a Bolívia.
“Pesquisei muito antes de decidir. Eu sabia que não poderia dar um passo tão grande sem garantias. Ouvi falar da Unifranz e de seu credenciamento no Mercosul. Percebi que aqui meu sonho poderia se tornar realidade”, lembra a atual estagiária de medicina da Universidade Franz Tamayo.
Com o coração dividido entre a incerteza e a esperança, ela colocou sua vida em malas, pegou seus filhos pela mão e cruzou as fronteiras em busca de um novo começo. Os primeiros dias não foram fáceis. A adaptação a um novo país, um novo idioma e as exigências acadêmicas de uma carreira exigiram mais dela do que ela imaginava. Mas ela não estava sozinha.
“Desde o início, tive apoio. Meus professores e a coordenação dos meus estudos de medicina sempre entenderam minha situação de mãe solteira. Eles me deram o apoio necessário para que eu não desistisse”, diz emocionada. Hoje, Janaisa está na reta final. Ela conseguiu acessar seu internato rotatório na Clínica Los Ángeles – um dos parceiros de capacitação da Unifranz em Cochabamba – onde todos os dias ela confirma que tomou a decisão certa.
Ciente da importância do estágio rotativo na formação dos futuros médicos, a Unifranz estabeleceu parcerias com os hospitais de maior prestígio da Bolívia e da região, permitindo que seus alunos realizem seu treinamento prático e reforcem a abordagem de “aprender fazendo”, diz Jimmy Venegas, Decano Acadêmico da Faculdade de Ciências da Saúde da Unifranz.
O internato rotativo é uma etapa fundamental para os futuros médicos. Durante esse período, os alunos aplicam o conhecimento que adquiriram na universidade em um ambiente real. Não se trata apenas de uma fase de aprendizado técnico, mas também de um teste de resistência física e emocional.
Formação abrangente
Para os internos, cada dia traz novos desafios. Luis Mauricio Rosas Meneses, outro futuro médico da Unifranz, começa seu turno às cinco horas da tarde na mesma clínica. Nesse horário, junto com seus colegas, ele é designado para um serviço específico. Pode ser ginecologia, cirurgia, emergências ou suporte em várias áreas. Seu dia de trabalho se estende até as sete da manhã do dia seguinte. É um ritmo exaustivo, mas necessário para seu treinamento.
“Na maioria das vezes, temos pacientes que podem ser admitidos a qualquer momento, portanto, temos de estar atentos a essas necessidades e emergências”, explica o jovem internista.
Lembra de um paciente crítico que chegou ao departamento de emergência com insuficiência respiratória aguda. “Estávamos correndo de um lado para o outro com laboratórios, exames de imagem e hospitalização para levá-la para o andar de cima”, conta.
Essa fase também é decisiva para definir o futuro profissional dos alunos. Luis, por exemplo, tem uma inclinação crescente para a cirurgia geral e a cirurgia plástica. Sua colega de classe, Maricielo Yanira Mejía Gómez, também está reavaliando seu caminho rumo a uma especialidade, prestes a se formar. “Quando entrei, estava pensando em me especializar em pediatria. Agora que estou passando por diferentes especialidades, acho que vou ficar com a cirurgia”, ela compartilha.
Suporte de uma instituição
Para enfrentar esses desafios, o apoio da universidade é essencial. Maricielo ressalta que a Unifranz foi fundamental não só na sua formação acadêmica, mas também no apoio emocional, um fator-chave na hora de se candidatar ao internato.
“O apoio psicológico foi focado em como se relacionar com os colegas, como lidar com os problemas no hospital, como conversar com o paciente e como lidar com o estresse”, diz Maricielo.
A visão dos especialistas
O internato rotatório não seria possível sem a orientação dos médicos especialistas, que desempenham um papel fundamental no treinamento dos internos. José Miguel Condori, chefe de ensino da Clínica Los Ángeles, onde o grupo de alunos está fazendo o estágio, enfatiza que essa etapa é crucial para que os alunos adquiram competências e habilidades.
“É uma obrigação no treinamento de todo estudante de medicina. Nessa fase, o estagiário demonstra seu preparo e, ao mesmo tempo, adquire conhecimentos que lhe permitirão escolher uma especialidade”, diz ele.
Os especialistas também atuam como educadores de cuidados, ensinando tudo, desde técnicas cirúrgicas até estratégias de gerenciamento de pacientes.
“O educador assistencial é o braço direito do estagiário. É ele quem oferece, ensina e inculca, avaliando-o constantemente em seu processo de treinamento”, explica Condori Barroso, enquanto interage com aqueles que estão completando seu sexto ano de treinamento.
O internato rotatório também permite que os alunos enfrentem situações médicas reais. “Ao se depararem com uma parada cardiorrespiratória em emergências, os internos colaboram com o médico na reanimação do paciente. Não se trata mais de simulações com manequins, mas de uma experiência real”, diz o especialista.
Luis Canedo, traumatologista e diretor da Clínica de Los Angeles, explica que o estágio rotativo é uma transição entre ser um estudante e um médico.
“Para nós, o treinamento de todos esses médicos é importante, porque nós nos aperfeiçoamos. Muito provavelmente, também seremos pacientes desses médicos que estão em treinamento”, diz ele.
Um passo decisivo em uma carreira médica
O internato rotatório é o prelúdio da vida profissional dos futuros médicos. Para Luis Mauricio Rosas, ser um interno de medicina significa “adquirir habilidades e conhecimentos adequados e, acima de tudo, desenvolver o lado humano que nos é incutido desde o primeiro semestre”.
Enquanto isso, a história de Janaisa é um testemunho de que os sonhos, por mais impossíveis que pareçam, podem se tornar realidade se alguém ousar persegui-los.
Essas experiências destacam que o treinamento na Bolívia não é apenas acessível, mas também de alta qualidade, apoiado por um sólido ecossistema de aprendizado. É uma mensagem encorajadora que o convida a sonhar alto e a dar o primeiro passo, sabendo que, com esforço e comprometimento, qualquer meta pode ser alcançada.