Fabiana criou um videogame para que as crianças leiam mais… e agora elas não querem parar de jogar

Por Leny Chuquimia

Fabiana Villagra Chávez, la estudiante creadora del videojuego que incentiva a la lectura a los niños.

Hoje, no mundo da engenharia, costuma-se dizer que as máquinas não têm coração; mas, nos laboratórios da Unifranz, uma estudante de Sistemas demonstrou que o código também pode pulsar. Fabiana Villagra Chávez não apenas construiu um software; ela projetou uma ponte de “agüinha” chamada Atli, para que as crianças de Cochabamba, na Bolívia, voltem a se apaixonar pelos livros e sintam vontade de ler.

Assim nasceu Atli, um videogame educacional desenvolvido por Fabiana, estudante de Engenharia de Sistemas da Unifranz, com o objetivo de incentivar o hábito da leitura e melhorar a compreensão leitora em crianças do ensino fundamental. O sistema baseia-se em uma dinâmica lúdica na qual as crianças interagem com um mascote virtual — um axolote chamado ATLI, palavra que na língua náuatle significa “agüinha” — que precisa ser cuidado enquanto avançam em atividades de leitura.

Esse companheiro digital cresce apenas se a criança ler. Se o pequeno compreende o que lê e responde corretamente, Atli se alimenta; se se distrai excessivamente com os minijogos, o mascote se cansa. Trata-se de um ciclo de interdependência em que o jogo educa e a educação diverte.

A existência de Atli depende de algo muito real: a capacidade leitora e crítica da criança. Fabiana compreendeu que, para despertar o gosto pelos livros e melhorar a compreensão leitora, não eram necessárias mais tarefas, mas sim mais motivação.

Aprender fazendo: a arquitetura de um sonho

Para Fabiana, ATLI não surgiu de um dia para o outro. Ele é o resultado de anos de projetos integradores, pesquisa e desenvolvimento durante sua formação no curso de Engenharia de Sistemas.

“Durante toda a graduação realizamos muitos projetos. Em cada semestre desenvolvíamos pelo menos um, e isso me ajudou muito. Cada objeto que vocês veem foi feito por mim”, diz Fabiana, que passou inúmeras noites decifrando algoritmos e aperfeiçoando interfaces. Sua formação na Unifranz não foi linear nem passiva.

O videogame criado para incentivar a leitura em crianças do ensino fundamental foi testado na Unidade Educativa Eufronio Vizcarra.

A engenheira Fabiola Cadima, diretora do curso, confirma: Fabiana representa o perfil do estudante que não se conforma. Ela não apenas aprendeu a programar; aprendeu também a investigar, a lidar com fracassos, a reformular ideias e a avançar. O modelo dinâmico e prático da universidade permitiu que uma ideia inicial evoluísse até se transformar em um sistema robusto, capaz de analisar o desempenho leitor em tempo real.

A confiança de uma família

Por trás de cada grande profissional existe uma história de confiança. Para Brenda Chávez, mãe de Fabiana, ver o resultado final é a confirmação de que escolher a Unifranz foi a decisão correta.

“Valeu a pena”, afirma emocionada ao ver a filha às portas do mundo profissional. Em Cochabamba, muitas famílias buscam mais do que um diploma; procuram uma formação de excelência que se traduza em habilidades reais. Chávez destaca justamente essa união entre teoria e prática que caracteriza a instituição — uma combinação que transformou Fabiana de uma estudante curiosa em uma engenheira com visão empreendedora.

Com o tempo, ATLI também evoluiu. A ideia inicial foi sendo ajustada e aperfeiçoada até tornar-se um sistema completo, capaz de ser implementado em ambientes educacionais.

Da Llajta para o mundo

O que começou como um projeto integrador nas salas de aula da Unifranz já foi testado no Colégio Eufronio Vizcarra. ATLI deixou de ser apenas um trabalho acadêmico para tornar-se um empreendimento tecnológico com identidade cochabambina.

Fabiana alcançou algo que muitos procuram e poucos conseguem: dar à tecnologia uma função social. Sua maior satisfação é ver que “tudo funciona”. Atli está incentivando uma nova geração a deixar de enxergar a leitura como uma obrigação e a começar a vê-la como o combustível necessário para cuidar de seu melhor amigo virtual — e para tornar-se uma pessoa melhor por meio da leitura.

ATLI é mais do que um jogo de “agüinha”. É a prova de que, quando a qualidade acadêmica se encontra com o talento humano, a tecnologia deixa de ser fria e passa a ser transformadora. Fabiana nos oferece uma lição: na Unifranz, não se formam apenas engenheiros — formam-se criadores de futuro.

Deja una respuesta

Tu dirección de correo electrónico no será publicada. Los campos obligatorios están marcados con *