Da mandioca ao biodiesel: como os estudantes de Bioquímica e Farmácia revolucionam a pesquisa aplicada
A Universidade Franz Tamayo (Unifranz) reafirma seu compromisso com a inovação e com a formação profissional baseada na aprendizagem aplicada por meio dos Projetos Integradores do curso de Bioquímica e Farmácia. Essas iniciativas não apenas permitem que os estudantes coloquem em prática os conhecimentos adquiridos, como também promovem soluções criativas para desafios concretos que afetam a saúde, o bem-estar e o meio ambiente.
Durante o último período acadêmico, diversos projetos se destacaram por seu enfoque inovador e por seu potencial impacto, entre eles o YoguFlex, um iogurte funcional enriquecido com colágeno; um sérum facial elaborado a partir de amido de mandioca; e um biocombustível produzido a partir de óleo de cozinha usado.
Biodiesel a partir de óleo vegetal usado: energia limpa desde a sala de aula
No âmbito do Projeto Integrador I, um grupo de estudantes desenvolveu uma proposta para converter óleo de cozinha usado em biodiesel, oferecendo uma solução sustentável para a contaminação gerada pelo descarte inadequado desses resíduos.
Daniel Pinto, diretor do curso de Bioquímica e Farmácia, destaca a relevância da iniciativa ao afirmar que “esse projeto não apenas permite reduzir a poluição, como também introduz os estudantes na pesquisa e no desenvolvimento de biocombustíveis, um campo com impacto significativo na sustentabilidade energética”.
A equipe, composta por Nicol Estrada, Michael Ferrell, Mishel Huanca, Ariana Torrico, Gabriela Jiménez e Gala Tufiño, trabalha há mais de um ano e meio em testes para otimizar o rendimento do biocombustível. “Estamos muito próximos de concluir os ensaios e apresentar um produto que representa uma alternativa energética viável”, afirma Estrada.
O biodiesel, por emitir menos poluentes do que o diesel convencional, consolidou-se como uma alternativa estratégica em países como Estados Unidos e Brasil. O projeto da Unifranz demonstra que a Bolívia também pode avançar em soluções energéticas limpas e de baixo impacto ambiental.
Sérum à base de mandioca: cosmética natural a partir do laboratório
A busca por alternativas mais seguras e ecológicas no cuidado da pele motivou outro grupo de estudantes a desenvolver um sérum facial cicatrizante elaborado a partir de amido de mandioca, um ingrediente natural reconhecido por suas propriedades absorventes, calmantes e matificantes.
“O sérum foi pensado para controlar a acne, eliminar manchas e cuidar da pele do rosto de forma integral”, explica a estudante Micaela Ríos, integrante do projeto. A equipe escolheu a mandioca devido ao seu potencial como ingrediente ativo na cosmética natural, aproveitando seus carboidratos complexos, minerais e compostos antioxidantes.
A docente e mentora do projeto, Danitza Mamani, ressalta que o amido de mandioca “é ideal para peles oleosas ou sensíveis, não obstrui os poros e proporciona um acabamento mate muito valorizado na cosmética”. Além disso, o processo de extração do amido é totalmente natural e livre de agentes químicos, o que o torna uma alternativa mais segura e ambientalmente responsável.
O projeto está alinhado à tendência global de cosméticos livres de compostos sintéticos, um setor que superou 400 bilhões de dólares em 2023. Os estudantes avançam na formulação experimental e na avaliação de seu potencial comercial, integrando conhecimento científico com uma perspectiva social e ambiental.
YoguFlex: nutrição funcional para a saúde articular
O projeto YoguFlex propõe um iogurte funcional enriquecido com colágeno, desenvolvido especialmente para prevenir e aliviar dores articulares em pessoas idosas. A iniciativa surgiu da inquietação de um grupo de estudantes do terceiro semestre, que identificou a escassez de produtos acessíveis e naturais para enfrentar esse problema crescente.
“O objetivo do YoguFlex é aliviar e prevenir dores articulares, além de melhorar a mobilidade de pessoas da terceira idade”, explica Belith Emily Villegas, integrante da equipe. A proposta utiliza tarsos de frango e cascos de boi — resíduos geralmente descartados — dos quais se extrai colágeno por meio de um processo minucioso validado por testes padronizados.
As estudantes — Jhoset Coaquira, Nicol Chiri, María Isabel Escobar, Gloria Vargas, Valery Villarroel e Belith Villegas — destacam que o projeto não apenas oferece uma alternativa saudável, como também incorpora critérios de sustentabilidade e empreendedorismo em seu desenvolvimento. A extração do colágeno, os testes toxicológicos, a padronização de densidade e pH, bem como as etapas de formulação do iogurte, fortaleceram suas competências técnicas e de pesquisa.
Aprendizagem que transforma
Os Projetos Integradores do curso de Bioquímica e Farmácia da Unifranz consolidam um modelo educacional que estimula a criatividade, o pensamento crítico e a capacidade de resolver problemas reais. A universidade aposta em uma formação baseada no “aprender fazendo”, na qual a inovação emerge do trabalho colaborativo e da pesquisa aplicada.
Iniciativas como o YoguFlex, o sérum de amido de mandioca e o biodiesel demonstram que os estudantes não apenas adquirem competências técnicas, mas também desenvolvem sensibilidade social, visão sustentável e compromisso com o bem-estar da comunidade. Esses projetos reafirmam o papel da Unifranz como uma instituição que promove a ciência com propósito e a formação de profissionais capazes de transformar o seu entorno.