Aliança internacional: Universidade de Mondragón e Unifranz fortalecem a transformação educacional com a “codocência”
Na Bolívia, a Universidade Franz Tamayo (Unifranz) avança na transformação de seu modelo educacional com o acompanhamento da Universidade de Mondragón, instituição do País Basco reconhecida por seu enfoque inovador no ensino superior. Por meio de um processo sustentado de colaboração acadêmica, ambas as universidades impulsionam a implementação da “codocência” como estratégia-chave para aprimorar a experiência de aprendizagem em sala de aula.
Esse trabalho conjunto insere-se em um processo de intercâmbio de conhecimentos, experiências e boas práticas. “A verdade é que a Universidade de Mondragón e a Unifranz, há dois anos e meio, compartilham um caminho comum porque temos similaridades”, afirmou Mikel Etxaburu, docente, especialista em codocência e pesquisador da universidade basca.
Nas jornadas de capacitação e intercâmbio de experiências participaram docentes das sedes de La Paz, El Alto, Cochabamba e Santa Cruz, vinculados aos cursos de Administração de Empresas, Administração Hoteleira e Turismo, Engenharia Comercial, Engenharia de Sistemas, Design Gráfico e Produção Crossmedia, Publicidade e Marketing, Direito, Bioquímica e Farmácia, e Odontologia.
Segundo explicou Etxaburu, um dos principais pontos de convergência entre ambas as instituições é a aposta na inovação como processo contínuo. “A inovação é um processo que começa e não termina. Estamos permanentemente refletindo sobre o que pode ser melhor para nossos estudantes, bem como para nosso corpo docente e para a instituição”, sustentou.
Nesse contexto, a codocência posiciona-se como ferramenta central dentro desse modelo educacional transformador. Essa metodologia implica que dois ou mais docentes atuem conjuntamente em um mesmo espaço, ao mesmo tempo e com os mesmos estudantes, sob um planejamento previamente estruturado.
“A codocência consiste em que dois ou mais professores, que podem ser três, quatro ou mais, operem e trabalhem no mesmo local, no mesmo momento, com os mesmos alunos”, explicou Etxaburu. Além disso, destacou que essa abordagem requer um trabalho articulado baseado em três etapas fundamentais: planejamento, implementação e avaliação.
Para garantir sua efetividade, a codocência também exige uma definição clara de papéis dentro da sala de aula. “É um dos elementos essenciais que os professores devem executar quando estão atuando em classe”, pontuou, enfatizando que cada papel responde a um objetivo pedagógico específico.
Etxaburu sublinhou ainda que a visita à Bolívia foi enriquecedora pelo intercâmbio de critérios e experiências. “Temos energias que considero muito saudáveis, naturais e promissoras. Espero que continuem sendo frutíferas e que possamos seguir colaborando em ambas as instituições e continuar aprendendo uns com os outros. Cada vez que viemos à Bolívia, cada vez que a Unifranz nos acolhe, saímos ainda mais fortalecidos”, afirmou.
Para o acadêmico basco, um dos denominadores comuns entre a Unifranz e a Universidade de Mondragón é o espírito inovador. “Independentemente do curso que ministramos, sempre impactamos os estudantes, a pessoa e também o professorado, e isso nos torna melhores. É o que nos une à Unifranz: o desejo de continuar inovando, a criatividade, a energia e, acredito, a capacidade.”
“Unifranz é uma instituição líder em processos educacionais de mudança, e quando falamos de mudança e inovação, falamos de impacto nas pessoas, de transformação na mentalidade, nas atitudes, no empreendedorismo, na motivação, nas paixões e na criatividade”, acrescenta Etxaburu.
Esse processo não transforma apenas a dinâmica docente, mas também a forma como o aprendizado é concebido. Arantza Ozaeta, docente e pesquisadora da Faculdade de Humanidades e Ciências da Educação da Universidade de Mondragón, explicou que essa mudança impacta diretamente o papel do professor e do estudante.
“Em primeiro lugar, muda o papel do professor, pois ele deixa de ser a única fonte de conhecimento, perde o monopólio e torna-se um designer de uma experiência de aprendizagem que se conecte com os desafios sociais e com os grandes problemas que o mundo enfrenta atualmente”, assinalou.
Do mesmo modo, o estudante assume um papel mais ativo no processo formativo. “De passivo, passa a ser ativo e se responsabiliza por sua própria aprendizagem”, acrescentou Ozaeta, destacando que esse enfoque promove maior vinculação com problemáticas reais.
Esses critérios inserem-se no modelo “Aprender Fazendo” da Unifranz, metodologia educacional centrada na experiência prática e na resolução de problemas reais. Essa abordagem conecta os estudantes diretamente com o mundo profissional desde o início de seus cursos, desenvolve competências-chave e amplia sua empregabilidade por meio de projetos, simulações e vínculos com empresas. Tudo isso contribui para formar profissionais mais seguros e capazes de gerar impacto na sociedade.
Outro elemento fundamental desse modelo é a transformação da avaliação. “A avaliação é a agulha da acupuntura em um processo educacional. Porque, em última instância, estuda-se da maneira como se será avaliado”, explicou, enfatizando a necessidade de evoluir para uma avaliação formativa que acompanhe o processo de aprendizagem.
Essa perspectiva integra um novo ciclo de inovação educacional impulsionado por ambas as instituições. “Esta visita representa o segundo capítulo do trabalho que iniciamos no ano passado. A inovação educacional funciona por ciclos”, indicou Ozaeta, detalhando que o trabalho atual se concentra na codocência, na avaliação e na prática reflexiva do corpo docente.
Sob essa ótica, a transformação educacional não se limita à sala de aula, mas impacta sistemicamente toda a instituição. “Quando se inova na aprendizagem, o processo é sistêmico. Primeiro, o estudante aprende mais; em segundo lugar, o professorado também aprende; e, por fim, a instituição se transforma”, afirmou.
Os especialistas destacaram o nível do corpo docente da Unifranz. “Posso afirmar que a equipe da Unifranz é espetacular, com uma capacidade de trabalho e um compromisso muito significativos. Têm uma vontade ilimitada de aprender e crescer, e isso é um grande ativo para a Unifranz”, expressou Etxaburu.
No âmbito de sua estratégia de internacionalização, a Unifranz fortalece alianças estratégicas com universidades e instituições de referência global, como a Universidade de Mondragón, que transcendem o intercâmbio acadêmico tradicional. Essas colaborações permitem a co-criação de modelos educacionais inovadores, o desenvolvimento de projetos conjuntos com impacto real e o intercâmbio de boas práticas acadêmicas, consolidando uma formação conectada a padrões internacionais e orientada a responder aos desafios globais a partir da sala de aula.