{"id":709864,"date":"2025-11-21T12:43:26","date_gmt":"2025-11-21T16:43:26","guid":{"rendered":"https:\/\/unifranz.edu.bo\/?p=709864"},"modified":"2025-11-21T12:43:31","modified_gmt":"2025-11-21T16:43:31","slug":"quando-o-lixo-acende-a-luz-estudantes-prototipam-biocelulas-que-geram-energia-limpa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/unifranz.edu.bo\/pt\/blog\/quando-o-lixo-acende-a-luz-estudantes-prototipam-biocelulas-que-geram-energia-limpa\/","title":{"rendered":"Quando o lixo acende a luz: estudantes prototipam bioc\u00e9lulas que geram energia limpa"},"content":{"rendered":"<p>Todos os anos, a Bol\u00edvia gera aproximadamente 1,7 milh\u00e3o de toneladas de lixo, e 67% desse total prov\u00e9m das cidades de Santa Cruz, El Alto e La Paz. Sem uma coleta e tratamento eficazes, o grande volume de res\u00edduos transforma-se em uma bomba-rel\u00f3gio ambiental. Mas, onde alguns veem uma crise, os jovens enxergam uma oportunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o objetivo de encontrar uma poss\u00edvel solu\u00e7\u00e3o, um grupo de estudantes da Universidade Franz Tamayo projetou e prototipou uma bioc\u00e9lula capaz de gerar energia por meio de res\u00edduos org\u00e2nicos e bact\u00e9rias. O dispositivo funciona como um laborat\u00f3rio vivo de energia limpa.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cIdentificamos dois problemas: o lixo e a falta de energia, especialmente em \u00e1reas dispersas. Parecem quest\u00f5es distintas, mas podem ter uma \u00fanica solu\u00e7\u00e3o: as bioc\u00e9lulas. Podemos entend\u00ea-las como uma bateria viva\u201d, explica Nyah Leigue Canedo, estudante da Unifranz.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A equipe foi composta por David Uruchi Condori (Unifranz), Milenka Chuquimia Osco (Unifranz), Carlos Ramos Machicado (Unifranz) e Nyah Leigue Canedo (Unifranz). Seu projeto foi um dos seis prot\u00f3tipos desenvolvidos no Workshop Fab Lab da Futures Week 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>O evento, realizado entre 10 e 13 de novembro, em La Paz, foi organizado pela Unifranz com o apoio de The Millennium Project, da Red Iberoamericana de Prospectiva (RIBER) e da iniciativa 2030 Construyendo Futuros. Durante quatro dias, seis equipes multidisciplinares desenvolveram prot\u00f3tipos e solu\u00e7\u00f5es digitais sob metodologias de design, prototipagem e experimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O problema do lixo<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Todos os dias, toneladas de restos de comida e res\u00edduos biodegrad\u00e1veis v\u00e3o parar em aterros saturados, infiltram-se no solo, contaminam a \u00e1gua e liberam gases de efeito estufa que escapam para a atmosfera.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo dados do Instituto Nacional de Estat\u00edstica (INE), em 2023 foram coletadas 1.659.461 toneladas de res\u00edduos s\u00f3lidos nas nove capitais departamentais da Bol\u00edvia, mais a cidade de El Alto. Santa Cruz concentrou o maior volume, com 36% do total nacional.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Cuando la basura enciende la luz: estudiantes crean bioceldas que generan energ\u00eda limpia\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IKT9aQuUkvg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>A capital oriental foi seguida por El Alto, com 17% dos res\u00edduos, e La Paz, com 13%. As demais cidades contribu\u00edram com o volume restante, destacando que localidades como Trinidad e Cobija representaram apenas 3% do total.<\/p>\n\n\n\n<p>Estima-se que 85% do lixo seja domiciliar, 10% provenha de mercados, 1% de espa\u00e7os p\u00fablicos, 3% de fontes diversas como ind\u00fastrias e matadouros, e apenas 0,43% de centros hospitalares. Em outras palavras, os principais geradores s\u00e3o os lares e as atividades comerciais de alto fluxo.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, em v\u00e1rias zonas periurbanas h\u00e1 problemas de coleta. Muitos res\u00edduos acabam sendo queimados ou lan\u00e7ados nos leitos dos rios, gerando um problema s\u00e9rio de contamina\u00e7\u00e3o\u201d, explica a estudante Milenka Chuquimia Osco.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Uma bateria viva<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>\u201cO que hoje jogamos fora pode acender uma luz amanh\u00e3\u201d, explicam os integrantes da equipe.<\/p>\n\n\n\n<p>A proposta soa t\u00e3o ousada quanto necess\u00e1ria: gerar eletricidade a partir dos mesmos res\u00edduos que contaminam a cidade. O desafio \u00e9 ainda maior quando um dos requisitos \u00e9 utilizar tecnologia inspirada nos processos biol\u00f3gicos mais elementares do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>O cora\u00e7\u00e3o do projeto \u00e9 uma bioc\u00e9lula de combust\u00edvel microbiana, um pequeno laborat\u00f3rio vivo onde bact\u00e9rias anaer\u00f3bias trabalham continuamente. Em sua c\u00e2mara an\u00f3dica, esses microrganismos oxidam o material org\u00e2nico \u2014 como restos de comida ou \u00e1guas residuais \u2014 liberando el\u00e9trons que s\u00e3o captados por um \u00e2nodo projetado para garantir a m\u00e1xima efici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201c\u00c9 uma combina\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, res\u00edduos org\u00e2nicos e bact\u00e9rias. Juntos, criam um miniecossistema que transforma lixo em energia\u201d, explica o estudante Carlos Ramos Machicado.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para a constru\u00e7\u00e3o foram utilizados fio de cobre, carv\u00e3o, soda c\u00e1ustica e ferro.<\/p>\n\n\n\n<p>Separada por uma membrana de troca de pr\u00f3tons, a c\u00e2mara cat\u00f3dica impede a interfer\u00eancia do oxig\u00eanio, permitindo que os el\u00e9trons completem seu percurso em um circuito externo onde a eletricidade \u00e9 gerada.<\/p>\n\n\n\n<p>O sistema incorpora sensores de pH e temperatura que monitoram em tempo real a sa\u00fade do processo biol\u00f3gico. Um monitor digital permite aos usu\u00e1rios observar a varia\u00e7\u00e3o dos par\u00e2metros e da energia produzida.<\/p>\n\n\n\n<p>O design dos eletrodos otimiza o desempenho, demonstrando quanto se pode aproveitar de um res\u00edduo comum quando ele \u00e9 canalizado de maneira inteligente. Em conjunto, esse pequeno dispositivo demonstra algo extraordin\u00e1rio: o lixo pode iluminar, ensinar e limpar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Muito mais que um experimento<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O prot\u00f3tipo n\u00e3o foi pensado apenas para laborat\u00f3rios. Um dos requisitos de desenvolvimento \u00e9 sua viabilidade real. Por isso, o design foi elaborado como uma caixa port\u00e1til, que pode ser levada a escolas, bairros e centros comunit\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu funcionamento cont\u00ednuo permite que pesquisadores locais calibrem melhorias, gerando conhecimento pr\u00f3prio e fortalecendo capacidades em engenharia ambiental. Os estudantes vislumbram a oportunidade de impulsionar projetos-piloto que combinem gest\u00e3o de res\u00edduos com resultados energ\u00e9ticos mensur\u00e1veis, reduzindo a pegada ecol\u00f3gica urbana.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez, em um futuro n\u00e3o t\u00e3o distante, as luzes que iluminam nossos caminhos nascer\u00e3o daquilo que hoje descartamos como lixo.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bioc\u00e9lulas estudantis inovadoras transformam lixo em energia limpa, oferecendo uma solu\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel para os res\u00edduos urbanos.<\/p>","protected":false},"author":53,"featured_media":709809,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[60],"tags":[],"class_list":["post-709864","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/unifranz.edu.bo\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/709864","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/unifranz.edu.bo\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/unifranz.edu.bo\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/unifranz.edu.bo\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/53"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/unifranz.edu.bo\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=709864"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/unifranz.edu.bo\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/709864\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":709865,"href":"https:\/\/unifranz.edu.bo\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/709864\/revisions\/709865"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/unifranz.edu.bo\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/709809"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/unifranz.edu.bo\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=709864"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/unifranz.edu.bo\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=709864"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/unifranz.edu.bo\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=709864"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}